Abrindo as intervenções, Danilo Moreira, secretário-adjunto de Juventude, no exercício da titularidade da pasta, afirmou que a agenda que mais unificou o campo da juventude nos últimos anos foi a luta pela institucionalização. Ele defendeu a unidade e a maturação coletiva para priorizar bandeiras de luta e apontou a necessidade de avanços, principalmente no que se refere à aprovação de marcos legais e do fortalecimento da Secretaria Nacional de Juventude e do Conselho Nacional de Juventude.
Moreira abordou ainda a questão da transversalidade das políticas de juventude e a sua relação com a institucionalização, e disse que os temas são complementares. Para ele com fortalecimento institucional dos organismos de juventude teremos mais condições e autoridade para influenciar nas políticas setoriais do governo, fazendo com que uma perspectiva geracional juvenil seja incorporada em áreas como educação, saúde, cultura, trabalho, desenvolvimento social, entre outras.
Financiamento e Estrutura
Por se tratar de uma experiência relativamente nova, a gestão das políticas de juventude apresentam muitos desafios que precisam ser superados. Se por um lado existe larga experiência de militância nos movimentos juvenis – que originaram e possibilitaram a construção desses espaços institucionais – por outro lado há as dificuldades de um modelo gestor ainda em construção.
Afonso Tiago de Sousa, coordenador especial de políticas públicas de juventude de Fortaleza (CE), compartilhou a experiência do modelo desenvolvido na capital cearense. Ele apontou as principais dificuldades e os sucessos empreendidos pela coordenadoria desde sua criação, em 2005. Ele defendeu que é preciso um sistema de juventude que garanta um espaço de para os órgãos de juventude na gestão dos programas. “A criação de conselhos como espaços democráticos é fundamental para a institucionalização das políticas públicas de juventude”, argumentou.
A aprovação de um marco legal também foi apontada por Roberto Tross, coordenador de juventude de Minas Gerais, como imprescindível à institucionalização das políticas de juventude. Segundo ele a legislação é fundamental para garantir estrutura de funcionamento, distribuição de recursos e manutenção de projetos e programas. Tross defendeu, ainda, que deveria haver uma discussão sobre a partir de que idade pode se enquadrar como jovem. Ele acredita que a delimitação da faixa entre 15 e 29 anos pode gerar conflitos com os programas que atendem crianças e adolescentes.
Ousadia e Organização Social
Além dos olhares lançados sobre as experiências atuais de implementação de PPJs, a oficina levantou questões sobre o futuro da institucionalização e sobre a viabilidade dos caminhos a serem seguidos. Contribuíram com ideias, opiniões, estudos e sugestões os pesquisadores Zezé Weiss, da Xapuri Socioambiental; Fernanda Papa, da Friedrich Ebert Stiftung – FES; e Wagner de Mello Romão.
Weiss afirmou que é preciso ir além da institucionalização e ter um pouco mais de ousadia para transformar a política de juventude em uma política de nação, onde a sociedade se apodere da política e a tome para si, como bandeira de luta. Ela acredita que dessa relação com a sociedade surgirá novas experiências e modelos que podem se transformar em políticas públicas.
Romão levantou alguns questionamentos sobre o tema, apontando para a necessidade de haver metodologia para a estruturação de um sistema nacional de juventude e ações que conquistem a sociedade para a ideia. Ele defendeu ainda a desburocratização dos setores de convênios, o que, em sua opinião, dificulta a participação de iniciativas fora das instituições organizadas.
O tema da transversalidade também foi abordado pelos três especialistas. Fernanda Papa lembrou que, embora sem ter uma nomenclatura única, o tema já era uma preocupação do Conjuve em 2006 e que acredita que o debate já amadureceu bastante desde então. Para ela o espaço de interlocução dos gestores deve ser melhor utilizado e que um dos grandes desafios que está posto para a institucionalização é achar alternativas para trazer o movimento juvenil para perto das instituições.
Também participaram da oficina – que foi mediada por Fransérgio Goulart e teve cobertura via Twitter ─ Josbertini Virgínio e Félix Aureliano, coordenadores da comissão; Danielle Basto, Alessandro de Leon, Marina dos Santos Ribeiro, Danilo Moraes, José Eduardo Andrade e Marjorie Botelho, membros do Conjuve.
O que é o Ciclo de Oficinas ?
O ciclo de oficinas é uma iniciativa da comissão de acompanhamento de políticas e programas do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) que entre os dias 13 e 23 de setembro, reuniu pesquisadores, conselheiros, gestores e sociedade civil para debater as políticas públicas de juventude nas áreas de educação, saúde, cultura, vida segura e direitos humanos, participação, trabalho, tecnologia da informação e comunicação, esoprte, meio ambiente e institucionalização das PPjs.
As oficinas devem fazerum balanço das ações direcionadas à juventude no âmbito de resultados e avanços, expectativas e limitações, e da participação do Conjuve na construção das Políticas Públicas de Juventude nos últimos oito anos e a sua sistematização será incorporada ao documento de balanço anual, que deve ser apresentado na última reunião do Conjuve em 2010, prevista para a primeira quinzena de dezembro.
Fonte: www.une.org.br



“A renovação na política é extremamente necessária. E uma renovação não só de rostos, mas também de práticas, de objetivos, de visão”, afirma Leonel Camasão, 23 anos, o caçula dos entrevistados. Candidato a deputado federal pelo PSOL de Santa Catarina, ele afirma que “ser jovem na política é manter espírito revolucionário. Envelhecer sem perder os ideais da juventude, sem se dobrar, sem se render, sem se vender”. É jornalista e ingressou no movimento estudantil na sua faculdade.
O fisioterapeuta Marcelo Schrubbe, de 29, vereador em Blumenau (SC), pleiteia a vaga de deputado federal por Santa Catarina pelo Democratas (DEM-SC). Para ele ser jovem na política não é uma questão apenas de idade, mas sim de postura. É ter “maior engajamento, sem vícios, acreditando em sonhos, no poder da transformação, na melhoria todos os dias da condição de nossa sociedade e no poder das novas idéias”. Foi vice-presidente do DCE da universidade, atuou como bombeiro comunitário e tem longa trajetória na direção de entidades de classe (de bombeiros e de fisioterapeutas).
Também da região Sul, Maurício Piccin, 29, veterinário, foi diretor e primeiro-vice-presidente da UNE (2003-2007). Concorre a deputado estadual pelo PT do Rio Grande do Sul. Acredita que ser jovem pode, sim, influenciar no resultado da sua candidatura. “Ser jovem na política é ter a ousadia para enfrentar as mesmas dificuldades que a juventude encontra para se fazer ouvir, para ter vez e para fazer acontecer”. Concorda que há na sociedade certa aversão à política, a qual atribui “aos maus políticos, mas também à investida dos grandes meios de comunicação para afastar o povo desse debate”.
Rumando para o Nordeste brasileiro encontramos o estudante de Letras Emerson Lira, 24 anos, candidato a deputado estadual na Paraíba pelo Partido Comunista Revolucionário (PCR). Há sete anos atuando no movimento estudantil, atribui a essa atividade a base de sua militância política. “Ser jovem para mim é ser revolucionário. É destinar toda a energia e a combatividade característica da idade para a luta por uma sociedade sem exploração, portanto, sem as mazelas que vemos no dia a dia como a miséria, a fome, o desemprego etc”.
Do Sergipe, Valadares Filho, 29 anos, busca seu segundo mandato à Câmara Federal pelo PSB-SE. É o único que já tem registro na Casa e contabiliza importante apoio na articulação para aprovação da PEC da juventude. Foi um dos parlamentares a pedir a votação do Plano Nacional da Juventude ao presidente da Câmara (Michel Temer). O candidato também defende que a juventude vai além da idade, estando principalmente nas idéias e ações. “O jovem está à frente do seu tempo, se preocupa com o futuro do país, não apenas com discursos mas, na prática, com ações efetivas”.
Marcos Aurélio Garcia de Lemos, 27, candidato a deputado federal pelo PSB-RN, começou a carreira política ainda como secundarista, atuando no grêmio do CEFET Rio Grande do Norte. Para ele, as mudanças só ocorrem através da política, que precisa ser renovada: “É importante renovar não apenas considerando figuras ou a idade mas, principalmente, os ideais e os métodos. Deve-se perceber a vitalidade e jovialidade nas idéias, bandeiras e compromissos que lutamos pra representar. É uma fase especial, criativa, experimental, perigosa e determinante na vida de qualquer pessoa”.
Formado em odontologia, Thiago Lobo, 31 anos, é candidato a deputado estadual em São Paulo pelo PSDB. Por sua relação estreita com o esporte, na universidade promoveu jogos e gincanas universitárias, incentivando futuros atletas. Para ele "ser jovem é estar do lado dos direitos da sociedade, sem distinção de credo, cor, idade, religião”. E ressalta: “Não podemos continuar com aquele discurso antigo de que somos a geração futura, nós somos o presente”.
Candidato a deputado federal pelo PCdoB-SP, Gustavo Petta, 29, foi por duas gestões presidente da UNE (2003-2006), secretário de Esportes e Lazer de Campinas (SP), membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Conselho Nacional de Juventude do governo Lula. Petta considera que ser jovem é ser livre para pensar, agir, fazer, arriscar, experimentar, lutar e vencer:

